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Cérebro Bilíngue: Mitos e Verdades

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11/09/2020 - 6 min - Por Nicolle Abreu

Com uma globalização cada vez mais intensa, o domínio da língua inglesa deixou de ser um diferencial e tornou-se um pré-requisito. Com isso, a busca por um ensino de inglês de qualidade tem se intensificado entre pais e responsáveis. Dessa forma, as escolas buscam, cada vez mais, integrar o ensino de inglês às suas atividades.

Contudo, quando falamos no aprendizado de um segundo idioma, principalmente para a Educação Infantil, o assunto está rodeado de dúvidas e mitos. Pensando nisso, o English Stars convidou Adriessa Santos para falar sobre o assunto no webinário Cérebro Bilíngue: mitos e verdades.

Ela é mestre em Ciências, especialista em Neurociência, Educação e Gestão Escolar, além de ser bióloga e pedagoga. Coordenadora da pós-graduação Neurociência na Escola do Instituto Singularidades, Adriessa ainda é formadora de professores na temática de Neurociência e Educação e Bilinguismo e atua na Educação Básica nas séries finais do Ensino Fundamental.

Este artigo traz um pouco sobre como foi essa conversa com a pesquisadora. Confira!

O cérebro bilíngue: mitos e verdades

Adriessa inicia a live conceituando o que é neurociência. De acordo com ela, “a neurociência se dedica em estudar o sistema nervoso e vem nos últimos anos tendo uma interface interessante em relação à educação”. Contudo, ressalta a importância de se entender que não se trata de uma receita de bolo:

“Algumas pessoas têm muitas expectativas ao pensar que a neurociência vem para trazer evidencias e melhorar a nossa prática, o que realmente acontece. Porém, a parte importante é entender que ela não me dá uma receita sobre o que deve ou não ser feito dentro das práticas de ensino, assim como ela não vem ’biologizar’ processos. Isso significa que nem tudo que ela diz vem da biologia, mas grande parte de como a interação com o meio deve ser pensada para atingir resultados”.

A pedagoga explica isso por acreditar que vivemos em uma era chamada por ela de “neuro-tudo”. Há um problema, segundo ela, quando a divulgação de tantos dados científicos gera interpretações errôneas, conhecidas como neuro-mitos.

Essas más interpretações dos dados científicos criaram vários mitos acerca do bilinguismo que Adriessa tenta desmistificar.

1º mito: uma criança só é capaz de aprender certas coisas até os três primeiros anos de vida

Para começar, existe um mito atrelado ao bilinguismo e aos três primeiros anos de vida de uma criança. Muitos acreditam que existem uma série de aprendizados que só podem ser desenvolvidos durante essa etapa da vida, e que passado esse período, conhecido como “período crítico”, a criança não aprende mais essas habilidades.

Para desmistificar, a pesquisadora ressalta que esse neuro-mito possui alguns pontos verdadeiros, mas que o erro está justamente na generalização: “Sabemos que os três primeiros anos de vida são um período favorável para alguns aprendizados, contudo, não significa que, passado esse período crítico, a criança não aprende mais. Ela é capaz de aprender em todas as idades.”

Na live, Adriessa explica como funcionam as conexões cerebrais durante esse período – que a pesquisadora prefere chamar de “período sensível”. Essas conexões, ou sinapses, estão diretamente relacionadas aos estímulos que uma criança recebe nessa etapa da vida.

“Nesse momento já conseguimos trazer uma característica muito importante do cérebro de uma criança: a exuberância sináptica. O cérebro delas é marcado por isso. Significa que existem muitas conexões e quanto mais conexões existem mais ’fácil’ o aprendizado. Isso é perceptível no dia a dia ao compararmos o aprendizado de uma criança com o de um adulto: a criança aprende mais fácil.”

Sabendo que o número de conexões está associado ao número de estímulos, quanto mais estímulos ela recebe, mais fácil se torna o seu aprendizado. Contudo, Adriessa ressalta que o excesso de estímulos também pode ser prejudicial e diz que é justamente essa informação que gera um segundo mito acerca do bilinguismo e do aprendizado na infância.

2º mito: Aprender uma segunda língua nos primeiros anos de vida pode ser prejudicial e atrapalhar o desenvolvimento das crianças

A pesquisadora rechaça essa informação dizendo que uma das conexões com as quais as crianças estão mais propensas a aprender durante esse período está justamente relacionada à linguagem. “Ao contrário do que muitos dizem, se uma criança tem contato com uma segunda língua nos primeiros anos de vida ela não fica confusa. É muito interessante que a exposição a uma língua adicional seja feita nos primeiros anos de vida, justamente porque possibilidades de conexões nessa fase são maiores’’.

Outro ponto levantado na live diz respeito às chamadas “podas sinápticas”. Adriessa usa a analogia de uma árvore para explicar o termo:

“Pensando em uma árvore, eu podo os galhos bons, verdes e com folhas? Não, eu podo os galhos secos. E é mais ou menos essa a ideia nesse período de poda sináptica. Eu tenho momentos específicos ao longo do meu desenvolvimento em que são podadas algumas conexões. Mas quais conexões são podadas? As que foram menos estimuladas.”

Relacionando a poda sináptica ao bilinguismo, Adriessa nos lembra que a exposição à uma segunda língua nos anos inicias de vida de uma criança é muito interessante porque, além de ser um período sensível para a linguagem, para o aprendizado de uma outra língua, esse é o momento em que quando mais conexões em fizer e quanto mais estimulá-las maior são as chances de que na hora da poda essas conexões sejam mantidas.

3º mito: A criança fica confusa ao aprender um segundo idioma

Adriessa explica que muitos dos aspectos de confusão vêm atrelados ao fato de que a criança pode inferir em uma mesma frase palavras dos dois idiomas. Contudo, isso também acontece com os adultos. De acordo com a pesquisadora, “nada mais natural que falar mais de uma língua, é falar mais de uma língua”. O importante é compreender que do ponto de vista cerebral, não existe nenhuma confusão e que essa mistura de códigos não tem um impacto ruim.

Os períodos de maturação cerebral

Adriessa explica o que são os períodos de maturação cerebral e como eles se relacionam com o aprendizado de uma segunda língua. De acordo com a pesquisadora, em um cérebro maduro as informações são processadas mais rapidamente. Contudo, nós não nascemos com todas as áreas do cérebro maduras, isso é desenvolvido ao longo da infância e adolescência. Sendo assim, ressalta como o contato constante com outro idioma durante a infância pode ser efetivo para que essas informações sejam processadas.

Durante toda a live, a pesquisadora e pedagoga discorreu sobre outro neuro-mitos relacionados ao bilinguismo, como a alfabetização em dois idiomas, por exemplo. Com muita interação, Adriessa, busca sempre desmistificar informações errôneas ou incompletas sobre o cérebro das crianças e como podemos estimular seu desenvolvimento cada vez mais.

Para saber mais, assista à live completa:

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